Ômicron: entenda a preocupação sobre a nova variante

As mutações na proteína Spike da Ômicron, associada a entrada do patógeno nas células humanas, são a principal preocupação dos especialistas.

A nova variante Ômicron (B.1.1.529) do SARS-CoV-2 foi detectada no Brasil pela primeira vez no laboratório do Hospital Israelita Albert Einstein. A variante foi relatada inicialmente na África do Sul a partir de uma amostra coletada no dia 9 de novembro de 2021.

Embora a variante tenha sido detectada pela primeira vez na África do Sul, não é possível confirmar que ela tenha surgido neste país. Recentemente, a Holanda confirmou que a variante Ômicron foi detectada em amostras coletadas no dia 9 e 13 de novembro e não é claro se as pessoas contaminadas visitaram a África do Sul.

Nas últimas semanas do mês de novembro, as infecções aumentaram consideravelmente na África do Sul, o que coincidiu com a detecção da nova variante. No entanto, as características clínicas da infecção por esta variante ainda estão sendo investigadas.

O que se sabe sobre a variante Ômicron?

A variante Ômicron apresenta uma grande quantidade de mutações. Por isto e pelas regiões genômicas alteradas, esta variante foi designada como uma Variante de Preocupação (VOC – do inglês Variant of Concern). Isto significa que é previsto para esta variante uma alta transmissão comunitária e mudança no seu fenótipo devido as alterações em seu genoma.

As mutações na proteína Spike da Ômicron são a principal preocupação dos especialistas com a nova variante. Esta proteína é associada à capacidade de entrada do patógeno nas células humanas, além de ser um dos principais alvos dos anticorpos.

Pela sua importância, a maioria dos imunizantes disponíveis foram desenvolvidos a partir de estudos desta proteína da primeira variante do SARS-CoV-2 (wild type). Por isso, existe a preocupação de um possível escape da imunização pela vacina ou a possibilidade de reinfecção pela Ômicron.

No total, foram identificadas cerca de 50 mutações no genoma da variante Ômicron em comparação ao primeiro SARs-CoV-2 identificado. Dentre elas, 30 são na proteína Spike, sendo 15 apenas na região RBD (domínio de ligação ao receptor), porção da proteína que faz a interação direta com o receptor celular humano e está associada a resistência a anticorpos neutralizantes.

A taxa de mutação observada na proteína Spike da variante Ômicron é a maior já identificada até o momento, representando mais do que o dobro de mutações das outras variantes VOC. Veja na tabela abaixo:

ômicron mutações

Embora a alta taxa de mutação da nova variante seja uma preocupação, especialistas reforçam que a vacinação continua sendo a maneira mais eficaz de prevenir contra a COVID-19. Além disso, a vacinação é essencial para evitar o surgimento de novas variantes do vírus.

Detecção da nova variante

A técnica de RT-qPCR continua sendo utilizada com sucesso para a detecção de coronavírus. Em geral, a técnica utiliza como alvo regiões conservadas do vírus e por isso conseguem detectar todas as variantes conhecidas, inclusive a Ômicron.

No entanto, para determinar a variante é necessário realizar o sequenciamento genético do vírus. O sequenciamento genético é de grande importância para monitorar as variantes circulantes.

Acompanhe o monitoramento das rotinas de sequenciamento em tempo real das variantes brasileiras do projeto SARS-Omics no link: https://sarsomics.com/dashboard/

Referência:

Classification of Omicron (B.1.1.529): SARS-CoV-2 Variant of Concern – WHO . Disponível em: https://www.who.int/news/item/26-11-2021-classification-of-omicron-(b.1.1.529)-sars-cov-2-variant-of-concern

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